Dia 2 - Zilda 1:
Acordamos eufóricas e apreensivas. Era o dia de ver as
lindíssimas cachoeiras que são cartão postal de Carrancas e cenas de novelas da
Globo, mas havia chovido canivetes na noite anterior e não sabíamos se o
passeio seria cancelado ou não.
Tomamos nosso esplendoroso café da manhã com pãozinho, pão
de queijo, suco de laranja e tudo que tínhamos direito, pegamos nossa mochila
(sim, uma só, pra duas pessoas, mais do que bom) e fomos para a agência.
Acho que todos os turistas da cidade estavam lá e era um
bafafa, e uma divisão, e ouvia-se gritos de "quem vai pro 4x4 por favor
fica ali perto dos carros", "pessoal do quadriciclo, por aqui, por
favor" e perdidas no meio de tudo isso um guia nos chamou pelo nome e
disse:
-Vocês estão sem carro certo, vão comigo, podem entrar aqui
por favor.
Bom, nós entramos, esperar sentada dentro de um carro é
melhor que de pé no meio do passa passa. Duas garotas entraram pouco tempo
depois, cariocas, trilheiras um pouca mais experientes e abusadas do que nós.
Foi mais ou menos meia hora de chão, passando em alguns
pontos pela estrada real, e nosso guia (so sorry, não me lembro do nome) nos
contou algumas curiosidades locais.
Chegando lá fomo imediatamente ao canyon da racha da Zilda,
pois era dia de canionismo. Nosso guia foi verificar se seria possível fazer a
atividade ou se a água estava muito alta. Bom, para nossa decepção, chuva
forte, água alta, não poderíamos fazer o canyon pela manhã.
| Pinturas rupestres |
Partimos com a promessa de voltar á tarde para tentar
novamente. O grupo se dividiu entre quem iria fazer o roteiro Zilda I e quem
faria o Zilda II.
Estávamos no primeiro grupo, indicado por ter trilhas mais
leves de nível fácil (oi? não quero saber como classificam o II então). Para começar tivemos de pagar uma pequena taxa de R$ 3,00/ pessoa. Nossa
turma tinha dois guias, Fabrício e Fábio, irmãos, e 27 pessoas. Passamos
primeiro nas pinturas rupestres, datadas de mais de 2.000 anos.
Depois disso primeira cachoeira, a dos Índios.
Não posso
dizer que paramos para apreciá-la, mas garanto que todos entraram nela. Tivemos
de atravessá-la para começar nossa trilha, o que não foi difícil, tinha uma
corda para ter certeza que ninguém seria levado pela leve correnteza. Não era
exatamente fundo, mas para meu imenso 1,5m de altura, a água chegava quase no
peito e por pura precaução pedi ao guia para levar minha mochila. Os tênis
foram pendurados no pescoço e depois de chegarmos ao outro lado foram calçados
com a meia e a calça devidamente encharcadas S2.
| Cachoeira dos ìndios |
Uma leve caminhada pela mata, por algumas pedras e eis
que...trânsito! Sim, leram bem, eu disse trânsito! De pessoas, na trilha, e
pior, de mão dupla.
Demoramos andando em fila indiana, respeitando a trilha e a
quantidade de pessoas e eis que, do alto, contemplamos a cachoeira da Zilda! (Cenário do casamento do imperador com a Ísis na novela Império)
| Cachoeira da Zilda |
Poderia dizer que foi lindo, e de certa forma foi, mas tinha
muita gente, na água, na prainha, nas pedras, na mata em volta. Me atacou de leve
a 25demarçofobia agorafobia, mas respirei fundo, insisti mentalmente que estava
lá para relaxar, e continuamos a trilha para descer a cachoeira.
Lá em baixo
largamos a mala com uma simpática senhora que não ia entrar na água, retiramos
tênis, meia e blusa e nos jogamos, ou quase isso, pegamos a fila para entrar na
água. Por sorte conseguimos um cantinho encostadas nas pedras e pudemos deixar
a água cair nos ombros (quase que duas periguetes, de longos brincos,
caríssimos óculos de sol, horrorosos chapéis, maquiadas e de muitos ai ui ui caíram das
pedras em cima de nossas costas também, mas, por sorte, ficou no quase).
Depois de um tempo observando dezenas de namorados arrastarem
suas receosas namoradas para debaixo da queda de água principal eu resolvi ir
sem ser arrastada por ninguém.
Água fresca, deliciosa, e pesada. Não aguentei um minuto em
baixo daquela queda que mais parecia uma chuva de pedras, mas posso dizer que
me aventurei. Minha colega não teve a mesma audácia e como não sou namorado
dela eu não a arrastei.
| Cachoeira da Proa |
Nosso guia deu o sinal, saímos, nos vestimos e seguimos
nosso rumo. A segunda cachoeira, a da Proa, chegou mais rápido e com menor
dificuldade, porém para chegar em seu lago natural teríamos de descer uma
ladeira de pedras e a preguiça de ter que subir essa ladeira foi muito mais
forte que o entusiasmo. Estava levemente mais vazia, mas por ter mais espaço
para se acomodar tinha muitas selfies e fotos e poses e pessoas sem noção.
| Vista da Cachoeira da Proa |
Apreciamos a paisagem, a bonita e a feia, e tomamos nosso
lanche nos encantando com uma paineira cor de rosa que formava um arquinho do
outro lado da cachoeira.
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| Paineira cor de rosa |
Depois de degustar um clube social e duas barras de cereal
cada uma, seguimos com nosso grupo, e as trilhas foram ficando mais puxadas,
tinham subidas, o guia se perdeu, paramos, ele se achou, e nós duvidamos que
tivesse se achado de fato quando a subida passou a exigir as mãos além dos pés.
Mas ele estava certo e chegamos na belíssima Guatambu.
Ok, tinha um grupo grande de pessoas que quase lotou a
cachoeira, nossas coisas ficaram equilibradas em galhos e raízes e mal tinha
espaço para andar, fora os gigantescos besouros que, tenho certeza, atuaram no
filme "A múmia".
| Cachoeira Guatambu ( Foto de : |
Mas valeu a pena, o mergulho no profundo poço, negro e
gelado, chegando nas pedras que a natureza sabiamente
posicionou em baixo da queda, foi fantástico.
A queda era mais pesada que a da Zilda, mas fabulosa ainda
assim, quase me atirava longe de tão forte que era.
Dado nosso tempo juntamos as tralhas e voltamos. Na volta ficamos um pouco para trás para acompanhar e eventualmente ajudar a senhora que
gentilmente vigiou nossa mala, tivemos a oportunidade de ir conversando com o
nosso guia, estudante de engenharia, conhecedor da vegetação por puro costume.
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| Canela de Ema (Foto de : |
Conheci uma canela de ema, planta típica
de cerrado, possui um óleo que faz com que suas folhas secas entrem em
combustão com o calor do sol, mas protege seu tronco e ela nunca morre em uma
queimada.
Tem entre as folhas uma gosma seiva de cheiro delicioso usada em
cosméticos. Sim, peguei a gosma, meus dedos ficaram cheirosos pelo resto do
dia.
Aqui uma breve pausa para comprarmos uma água (sim,
esquecemos de levar água e passamos o dia a seco) e para explicar que não
tiramos as calças para entrar nas cachoeiras. Como meninas espertas que somos, concluímos
que, se tirássemos as calça legging, jamais as colocaríamos de volta com o corpo
molhado. Fomos de calça mesmo, por sorte modelos esportivos secam rápido.
Água bebida, seguimos sentido ao Escorregador da Zilda, mais uma taxa de R$ 5,00 / pessoa.
Estávamos levemente desanimadas com o tal escorregador, mas fomos mesmo assim, atravessamos uma área de camping e logo ouvimos as risadas e conversas. Estava de fato lotado, nosso guia foi o primeiro a se jogar, de barriga, e eu, com a gentileza de todos, a segunda.
Fui sentada mesmo e descobri com o corpo como funciona a aceleração, e a diversão!
Quero dizer, a quanto tempo não escorregava? E na água então, foi demais, e fui por mais 4 vezes, até o corpo se ressentir dos baques na água.
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| Escorregador da Zilda (Foto de :) |
Descansei um pouco até que finalmente nosso grupo seguiu rumo ao tão esperado Canyon!
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