Dia 1 - Voo Livre
No primeiro dia acordamos cedo, apesar de não existir limite
de horário para o café da manhã. (Vantagem da nossa pousada, obrigada Alexandre S2)
Comemos nosso pão de queijo fresquinho, um suco de laranja
naturalmente doce, café com leite, bolo caseiro e pãozinho com manteiga e
partimos rumo a Carrancas Eco Adventure, a agência de turismo que escolhemos
para nossas aventuras.
Chegamos lá em meio a uma multidão que já se preparava para
o passeio do dia, fomos recebidas por Oirot, o simpático dono da agência, com
quem combinamos nosso cronograma.
Estava fechado, as 14h da tarde, se não fugíssemos antes, teríamos nosso voo livre.Com borboletas no estômago fomos caçar alguma coisa para fazer a fim de
controlar a ansiedade.
Curiosidades que fomos descobrindo ao longo do dia: Oirot é
de São Paulo, trabalhava de sol a sol em um escritório, vivia espremido no
metrô, nunca tinha tempo para nada. Um belo dia se cansou dessa vida, viu que
era jovem e sozinho no mundo, chutou o balde e se mudou. Conhecera Carrancas na
adolescência e pensou, é lá! E foi mesmo, já mora por lá a 10 anos, é o único
que consegue viver unicamente de turismo e a única agência com esportes
radicais, tem um filinho lindo e se especializou bastante em botânica e
geologia, tudo por amor ao trabalho (eu citei que ele é engenheiro?)
Carrancas é uma linda cidadezinha de morro, pequena mas
muito charmosa, com suas construções de barro e madeira, seus muitos cachorros
de rua e crianças brincando de carrinho de rolimã nas ladeiras. Encantadora,
porém em ritmo lento demais pra quem veio da grande metrópole. Sem ter o que
fazer voltamos para pousada. Minha colega foi recuperar as forças da longa
viagem na noite anterior e eu fiquei na rede, curtindo o sol e o canto dos
canarinhos, que existem aos baldes na cidade, e são vistos até mesmo pousados
no meio da rua.
| Vista da porta da pousada Candeias |
| Igreja Matriz de Carrancas |
Uma ligação interrompeu nosso descanso, as condições do
vento estavam mais do que favoráveis, nosso voo foi adiantado em uma hora.
Partimos com Oirot em direção á pista na Serra de Carrancas.
Embora o dia já
estivesse meio nublado, lá em cima era extremamente quente devido a formação
rochosa do local que é brilhante e reflete o sol criando bolsões de calor perto
do solo. Aproveitamos essa desculpa para ir até uma linda bica encher nossas
garrafas e nos refrescar e aprendemos que um indicador de potabilidade da água
são as baratas d'água, que existem aos montes lá.
Água tomada, voltamos a pista e encontramos Garotinho, nosso
instrutor.
| Atrás de mim, Garotinho, me guiando, Oirot, e o ser em pânico sou eu =) |
Tudo pronto, era nosso grande momento. Minha amiga decidiu,
de forma justa e parcimoniosa, que eu seria a primeira a saltar. Já que ela foi
tão gentil em tomar coragem por mim, eu aceitei, porque a minha coragem própria
eu tinha esquecido lá na bica...
Tudo atrelado a mim, inclusive o Garotinho, paraguide
erguido acima da cabeça, solavancos e trancos, eu ouvi a ordem
"Corre" e meus pés já não tocavam o chão.
A sensação de voar pela primeira vez na vida (sem ser em um
avião) é indescritível!
o corpo naquele molejo mole do ar, como se estivesse numa rede, mas sem chão, o barulho do vento correndo lá em cima, a vista de pastos verdes ficando cada vez mais longe, foi como se eu fosse dona do mundo, como se eu fosse parte integrante de todo esse ecossistema, como se eu fosse infinita, como se pudesse me perder na linha do horizonte.
o corpo naquele molejo mole do ar, como se estivesse numa rede, mas sem chão, o barulho do vento correndo lá em cima, a vista de pastos verdes ficando cada vez mais longe, foi como se eu fosse dona do mundo, como se eu fosse parte integrante de todo esse ecossistema, como se eu fosse infinita, como se pudesse me perder na linha do horizonte.
Pipipipipipi o sinalizador indicava que estávamos subindo
mais e mais e quando finalmente saímos da corrente de vento ascendente era hora
de por os pés no chão novamente.
| Hei, sou eu lá em cima!!!! |
Pousei no mesmo ponto em que parti, lamento um pouco por
isso, afinal, o topo da rocha é composto por pedregulhos pontudos e afiados,
que ralaram todo meu braço num pouso levemente errado. Quando chegamos perto do
solo uma corrente de vento lateral nos surpreendeu e arrastou pelo chão,
deixando a todos preocupados e me dando um dos melhores vídeos da minha vida.
I believe I can fly
I believe I can touch the.....GROUND
I believe I can touch the.....GROUND
Minha amiga fez um salto mais baixo, tanto que foi parar num
pasto aos pés das serra (gramado e fofinho, bom pouso, sortuda)
Por essa sensação única pagamos R$180,00/ pessoa +
R$30,00/pessoa pelo transporte e R$35,00/pessoa a filmagem com direito a go pro
filmando lá de cima e o habilidoso Oirot filmando com sua Nikon aqui de baixo.
No meu caso a go pro desligou sozinha e fiquei sem minha filmagem pessoal,
triste, mas pelo menos ninguém vai ver minha cara de medo.
Voltamos para pousada, tomamos nosso banho e partimos rumo
ao Recanto, charmoso restaurante/cafeteria/sorveteria/bar que tem ao lado da
agência de turismo. Comida por quilo ou a lá carte, gostosa, mas não excepcional.
Matamos a fome já que não almoçamos, experimentamos o sorvete caseiro,
recomendo o de maracujá, divino!
Outra coisa que encontrei no Recanto foi o Guia das
cachoeiras circuito dos Inconfidentes, são 54 cachoeiras espalhadas em 13
cidades mineiras. Na verdade quase todos os lugares vendem o guia, mas lá eu
paguei mais barato, R$10,00. (Esse fica como roteiro para novos planos e novas
aventuras)
Depois de tudo isso fomos ter o descanso dos justos.
Nesta noite sonhei que voava!!!!


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